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SENHORA DO MONTE CARMELO

«Estrela do Mar» ou «Senhora do Lugar»

Fotografia de fundo: parte de uma cela do Carmelo da Guarda

O 1º ícone da Virgem do Monte Carmelo - também conhecido com o nome de apenas "Icone do Carmelo" -  pertence a uma família de imagens do Theotokos conhecido como Eleusa (Virgem da Ternura).  A Virgem da Ternura, ou Eleusa em grego, é o protótipo que se diz ter vindo da mão do Evangelista, São Lucas, que, segundo a tradição, também era um iconógrafo.  

O Manto do Ícone de Nossa  Senhora do Monte Carmelo é azul esverdeado e a sua túnica é vermelha, com todo o simbolismo que contém. Atualmente, depois da Reforma de Santa Teresa de Jesus, habituámo-nos às imagens de Nossa Senhora  vestidas como os e as Carmelitas: Túnica marron e manto branco. Contudo, a imagem que se venera em Stella Maris em Haifa, a Senhora continua com o seu manto azulado

         

A primeira Capela ou Ermida dedicada a Nossa Senhora no Monte Carmelo é do séc IX  e conhece-se o seu primeiro Ícone que é a imagem mais antiga mariana venerada pelos eremitas que aí viviam. Chamavam-lhe simplesmente «A Senhora do Lugar».  

Quando a Ordem nasceu a Virgem Maria ocupava já um lugar central e de destaque na organização e sentido daquela Comunidade mais primitiva. O nome que escolheram e com o que se apresentaram na Igreja: "Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo» provam isso! Desta família arranca a tradição da devoção e uso do Santo Escapulário que é um pano castanho que se coloca sobre os ombros, e é uma expressão carmelita tradicional de devoção a Maria e, em imitação dela, reflete a nossa rendição ao plano salvífico de Deus. "Quem for revestido deste hábito (escapulário) será salvo"! disse a Virgem Maria a S. Simão Stock.

No séc XIII, os eremitas pela perseguição dos muçulmanos, forçados a deixar o Monte Carmelo, viajaram para a Europa, carregando com eles o precioso Ícone.

Este foi colocado sobre o altar-mor de sua igreja em Nápoles, e lá, com o tempo em que o ícone ganhou uma tonalidade de pele escuro tanto da Mãe como do Filho, veio a ser conhecido como «La Bruna». 

Permaneceu neste lugar de honra por mais de 100 anos, e muitos milagres aconteceram até que o ícone foi removido para um altar lateral por um decreto real. No ano jubilar de 1500, cidadãos piedosos de Nápoles levaram o ícone em procissão a Roma. Durante a peregrinação, as pessoas doentes que tinham grande confiança na Mãe de Deus sob a invocação de Nossa Senhora do Monte Carmelo, foram curadas milagrosamente. 

A sua representação foi concebida para comunicar ao Carmelita contemplativo os valores da vida de Maria e portanto, para ajudar a caminhar para Deus, com e como Maria. São pormenores interessantes na simbologia mariana do ícone. Assim vemos que:

 

1. A cor dourada (lembrando o sol) das aureolas e do fundo indica a santidade de Maria, coração sempre revestido de Deus.

2. A cor azul escuro - verde (cor do mar, um símbolo da fertilidade) o manto da Senhora proclama o valor da sua Maternidade Divina.

3. A cor vermelha (símbolo do amor) da túnica, cuja parte cobre o Menino, indica o forte amor da Mãe que a liga ao seu filho Jesus.

4. A estrela com cauda, no manto de Maria,  é um sinal de sua virgindade antes, durante e depois do parto: mulher de coração indiviso para Deus.

5. A cor de pele de ovelha na manga do Menino lembra-nos que ELE  é o Cordeiro de Deus.

6. O rosto do Menino, com idade indefinida, comunica algo profundo: este é o Verbo eterno do Pai que se fez homem.

7. A mão esquerda de Maria segura o Filho no colo é sinal de ternura. A mão direita, responde à nossa súplica: “mostrai-nos Jesus, bendito fruto...”, indicando-nos: “Eis o caminho, a verdade e a vida”.

8. A posição do Menino, rosto colado ao da Mãe, é clara demonstração da recíproca ternura dos dois.

9. O rosto de Maria e de Jesus voltados para nós exprimem a missão redentora de Jesus e a participação co-redentora de Maria.

Toda a composição do ícone acima, do tipo iconográfico da eleusa (ternura), fala ao cristão, em particular ao Carmelita, da realidade da Virgem Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja e é convite à nossa intimidade, familiaridade e imitação de Maria.

 

Este ícone, recebeu a coroa de outro por Decreto do Capítulo do Vaticano a 11/06/1875. O Santuário do Carmo onde é venerada desde o século XIII fica em Nápoles (Itália). 

A partir deste ícone muitas imagens se pintaram da Senhora do Monte Carmelo e que nos são muito queridas.

De onde vem a veneração tão entranhável pela Mãe de Deus neste Monte?

Diz a Escritura no livro dos Reis:“Deus, então, falou a Elias: Vai apresenta-te a Acab; porque darei chuva sobre a terra” (1Rs 18,1) .Foi assim, revestido da benção Divina,que o profeta se dirigiu ao rei para anunciar chuva: “Disse Elias a Acab: Sobe, come e bebe, porque há ruído de uma abundante chuva”

 (1Rs 18,41). Não havia uma só nuvem no céu quando Elias anunciou a forte chuva. Elias se prostrou diante de Deus pedindo a chuva, que Ele mesmo prometera.

Por seis vezes orou e, no céu, nenhum sinal de chuva aparecia. Enviou seu servo para verificar se nas bandas do mar havia algum sinal de chuva, no entanto, ele voltou com a resposta negativa: “Senhor, não há nada, nem sinal de chuva” (1Rs 18,43). E sucedeu que na sétima oração: “Eis aqui uma pequena nuvem, como a mão de um homem, subindo do mar” (1Rs 18,44). Elias, diante do mínimo sinal, anunciou ao Rei: “‘Aparelha teu carro e desce, para que a chuva não te apanhe’ E veio uma grande chuva” (1Rs 18,45).

A  Igreja, interpreta essa passagem da escritura como o primeiro sinal da presença de Nossa Senhora entre os homens. Pré-figuras Biblicas há inúmeras, a mulher do Gênesis (Gn 3,15) as mulheres fortes do Antigo Testamento, etc. Mas o facto ocorrido no Monte Carmelo indica algo mais. A terra passava por um castigo, porque o Povo de Israel tinha abandonado o verdadeiro Deus e esse castigo já durava sete anos. Não era qualquer castigo, mas uma seca prolongada… enfim, tudo estava em uma situação que merecia uma intervenção especial de Deus. O local escolhido para essa “teofania” foi o Monte Carmelo, geograficamente situado nas encostas de Israel com vistas para o mar Mediterrâneo. Dessa pequena nuvenzinha proveio para a humanidade da época uma chuva que irrigou o país. 

Séculos transcorridos, essa nuvenzinha vê-se personificada: a Rainha dos Céus e da terra. Traz ao mundo a mais bela de todas as chuvas, Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim como o orvalho anuncia muitas vezes a vinda de águas torrenciais, a Virgem Maria, “orvalho celeste” traz-nos seu Divino Filho, nosso Redentor, que veio irrigar o mundo, não somente de seu tempo, mas inclusive dos tempos vindouros, com a graça, com os sacramentos, com a Santa Igreja.

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